Presidente Tadeu Martins Leite, a quem agradeço por cada palavra e gesto que tem sempre comigo. Um norte-mineiro que comanda essa casa em nome de todas as Minas e como representante das Gerais.
Presidente Luís Carlos Corrêa Júnior, juiz completo e nato, ponderado, sereno, firme e técnico.
Procurador-Geral de Justiça Paulo de Tarso, que guia com precisão o Ministério Público na direção das soluções concretas para problemas reais: bandidos presos e políticas públicas avançando.
Defensora-Geral Raquel Dias, nossa companheira de construção das mais importantes composições coletivas da história do país.
Todos amigos, mal nenhum, constrangimento nenhum em dizer isso. Trabalhamos juntos, juntos por Minas Gerais.
Deputado federal Pinheirinho, representando o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Mota.
Presidente do Tribunal Regional da 6ª Região, desembargador Vallisney Oliveira.
Conselheiro Alencar da Silveira, representando o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
Vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Minas Gerais, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, representando o presidente desembargador Júlio César Lorens.
Presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, professor Juliano Lopes, meu colega vereador desde 2016.
Presidente nacional do meu partido, partido social-democrático, PSD, e secretário de Governo e Relações Institucionais do estado de São Paulo, presidente Gilberto Kassab.
Meus amigos todos aqui presentes.
Cumprimento os secretários em nome do secretário Marcelo Aro e todas as demais autoridades em nome do meu amigo, amigo de meu pai, ex-governador do estado de Minas Gerais Eduardo Azeredo, que me honra muito com sua presença aqui hoje.
Alguns dias atrás, Christiana perguntou se eu estava ansioso com a chegada da posse. Eu respondi que a minha rotina mudaria pouco, mas isso não respondia à pergunta dela.
É verdade que a minha rotina mudará pouco e isso eu devo exclusivamente ao governador Romeu Zema, que desde 13 de março de 2020, quando me nomeou Secretário-Geral, tarefa que eu desempenho já há seis anos, com muito orgulho e consciência, delegou a mim o privilégio de coordenar o secretariado do estado.
E eu devo confessar que eu já me considerava àquele tempo um conhecedor da política e um mineiro rodado pelo interior, porque é de lá que eu venho, mas não podia estar mais enganado.
Seis anos depois, eu conheço uma Minas Gerais, institucional e geográfica que eu nunca imaginei que existisse. E eu sou muito grato por isso ao governador Romeu Zema e a cada um de vocês.
Eu chego hoje ao comando do estado de Minas Gerais com experiência sobre a complexa realidade institucional e conhecedor do delicado equilíbrio entre os Poderes.
Entendo que é necessário promover o exercício pleno das atribuições constitucionais do Executivo, ao mesmo tempo que mantenho em mira as responsabilidades e limites de cada outra esfera de poder. Só assim a lógica dos freios e contrapesos será de equilíbrio e não de subserviência, de autonomia e não de antagonismo.
Eu tenho orgulho de conhecer cada um dos deputados que estão aqui presentes como amigos antigos. Entendo que são eles, os parlamentares mineiros, que têm condição de efetivamente trazer ao governo do estado o que Minas anseia.
Esse é o motivo da alegria que eu tenho de rodar o estado com vocês, caminhada que fizemos ao lado do governador Romeu Zema e que vamos continuar a fazer. Os senhores têm o meu compromisso.
Por isso, senhores deputados aqui representados pelo meu amigo, equilibrado, dinâmico, jovem, presidente deputado Tadeu Martins Leite, eu quero aproveitar esse momento para dividir com os senhores uma decisão, a de passar os próximos três meses percorrendo, agora como governador, cada uma das regiões do estado.
Faço questão de rodar as 16 regionais acompanhado sempre dos senhores, mas quero fazer mais do que visitar. Transferirei a partir do dia 26 a sede administrativa e a capital do estado para cada uma dessas regiões, num reconhecimento de que Belo Horizonte é a nossa capital, mas Minas Gerais é muito grande para ser compreendida à distância.
Ao longo dessa jornada, eu poderei entregar muitas das obras e programas que o governador Romeu Zema iniciou, mas quero ir além ao lado dos meus deputados. Em cada região, quero ter a oportunidade de fazer os anúncios que vão mudar a face do estado e plantar a condição de desenvolvimento efetivo e acelerado de Minas. Nós não vamos mais ficar para trás.
Foi também com vocês, deputados, que eu aprendi uma lição muito importante: ouvir os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, porque são eles que formam para mim um mapa exato daquilo que a população quer e precisa. Estou falando de prefeitos desde a minha amiga de infância, prefeita Elisa de Uberaba, à minha adversária política, mas digna na discussão da recuperação dos corpos no desastre de Juiz de Fora, prefeita Margarida. Estou falando do ameno prefeito Tuquinha, lá de Rio Pardo de Minas, mas também de Coronel Dimas, da mais dinâmica cidade industrial do estado, nossa Pouso Alegre.
Estou falando de Tampinha e o asfalto na ligação a Taiobeiras, mas também estou falando de Major Renato e a ligação do Amanhece, em Araguari, até a divisa com o estado de Goiás.
Estou falando de Luquinhas, responsável pelo maior volume de operações no Leste de Minas e Itabirinha, mas também estou falando de Cíntia, da ativa Cambuí e o sofrimento que é ser cortado pelo meio por uma rodovia como a Fernão Dias.
Eu não vou falar dos 853 prefeitos, mas eu quero que todos se sintam reconhecidos através dos senhores deputados que os representam aqui. Eu tenho a alegria de chamar os prefeitos pelo nome, de conhecer as famílias dos prefeitos, de saber que tem uns que parecem comigo, como o Guilherme, de Montes Claros, que pode fazer campanha no meu lugar quando chegar o momento da eleição, e de outros que eu conheço desde que eu sou menino na política, como o ex-prefeito Adelmo, a minha amiga Ilce Rocha, porque são referências na política como prefeitos.
Essa relação minha com os prefeitos não foi construída na base do churrasco, foi construída na base da conversa que os senhores deputados mediaram, eles partiram de um cenário, de uma dívida que nós herdamos de bilhões de reais do governo anterior. E sim, nós sempre falamos do governo anterior porque é importante lembrar de onde nós viemos para saber onde é que nós estamos e para onde nós vamos.
Mas hoje nós temos parcerias que permitiram, por exemplo, a universalização do Samu, recorde de repasse de verbas para custeio hospitalar no Valora Minas, maior número histórico de cirurgias realizadas no Opera Mais, construção de centenas de estruturas para receber mamógrafos e tomografias computadorizadas novas, dezenas de serviços de hemodiálise inaugurados nesse meio tempo, construção de cinco hospitais regionais no interior, o início de uma construção de um hospital de pesquisa em Belo Horizonte.
Mas eu sei que nós ainda temos muito a fazer, mas esse reconhecimento da dor das cidades com a saúde é, para mim, um ponto importante. Foi por isso que nós trocamos os ônibus do Transporta Fácil, do Transporta SUS. É por isso que nós fornecemos os vacimóveis, é por isso que nós financiamos os consórcios de saúde, porque os prefeitos precisam dessa ajuda e os deputados nos fazem perceber essa necessidade. Os prefeitos não se esqueceram como foi governar debaixo de quem não se importava com eles, nem com os mineiros.
É também essa minha experiência ao longo desses seis anos que me permite compreender que não há possibilidade de futuro melhor para Minas, nem para os mineiros, sem os nossos servidores públicos.
Na educação: 200 mil professores, que garantem que as nossas crianças sejam adultos capazes de criar as suas famílias, de produzir, de contribuir para o desenvolvimento de Minas Gerais. Nós temos hoje o melhor IDEB da história, mas eu não posso esquecer que muita coisa ainda precisa ser feita por eles. Também não posso esquecer das mais amadas figuras de todas as escolas, os nossos quase 35 mil ASBs, nossas cantineiras, que alimentam as barrigas dos nossos filhos, mas enchem o coração deles de alegria todos os dias. Não posso esquecer de cada porteiro que garante a segurança dos alunos, de cada faxineira que mantém a escola limpa, de cada diretor que garante que as nossas 4 mil escolas estejam sendo reformadas e prontas para os desafios de um mundo tecnológico e dinâmico.
Na segurança pública, foram mais de 15 mil contratados desde o início do governo Zema. Policiais militares bem formados e comprometidos com a segurança de cada mineiro. Bombeiros amados por todos nós, os nossos amigos certos das horas incertas, policiais civis capazes de entregar bandidos presos e condenados com aplicação de inteligência investigativa e tecnologia de ponta, policiais penais e agentes do socioeducativo que dedicam suas vidas a nos manter em segurança longe daqueles que precisam estar e se manter presos.
Cada servidor administrativo, aqueles que cuidam do meio ambiente, os que cuidam dos nossos produtores rurais, os que cuidam dos mais pobres, aqueles que cuidam das mais diversas atividades administrativas, como a nossa infraestrutura ou o recolhimento de impostos. Sem vocês, eu não estaria aqui. E é por isso que eu ofereço o meu sincero reconhecimento pelo trabalho e pela competência do serviço público de Minas Gerais.
Tudo isso poderia indicar que não há motivos para ansiedade. Como eu disse para a Christiana, eu poderia estar tranquilo. Afinal, essas são as bases para aquilo que eu pretendo entregar em Minas Gerais no meu governo: relações institucionais sólidas e colaborativas, construção ao lado dos servidores e, acima de tudo, priorização dos interesses da população. Para além de divergências ideológicas ou conveniências corporativistas, são eles, os mineiros, que pagam pela estrutura do Estado e a eles que nós devemos dedicar o nosso trabalho sempre, em primeiro lugar.
Mas essa, ainda assim, não é toda a verdade, eu tenho que confessar. Tenho acordado antes do meu despertador todos os dias ao longo do último mês. O tamanho do estado com 22 milhões de habitantes, mais de 24.000 km de estradas, mais de 600 mil servidores, pode ser o que estaria tirando a paz do meu coração, mas o desafio que me acorda de manhã mais cedo não é esse. O real desafio é a necessidade de um governo cuidar da melhoria da vida de cada uma das pessoas que vivem nesse estado. Porque a verdade é que problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas, nem por vídeos em redes sociais.
Problemas como os da dona Terezinha Sandra, professora da rede estadual que eu encontrei em Ubá no mês passado. No meio da lama, ela estava ajudando a limpar o restaurante da filha que foi destruído pela enchente. Entre uma rodada e outra, ela parou para me contar que ela perdeu um terço da remuneração dela do mês passado, porque as nossas secretarias de Educação e de Planejamento recusaram a declaração do médico, o atestado médico, que era assinado por um médico estrangeiro sem CRM no Brasil.
Agora eu pergunto para os senhores: que culpa tem a dona Terezinha Sandra se o Governo Federal resolveu contratar um médico sem CRM? Que culpa tem a dona Terezinha Sandra, nossa professora, se aquele era o único médico disponível para atendê-la no posto de saúde? Que culpa tem a dona Terezinha Sandra pelos nossos equívocos, seja de União, de estado, de município, que culpa ela tem? E o mais estranho, aparentemente o Estado considera que esse médico é suficiente para atender e cuidar da saúde da vida dela, mas o papel que ele assina não serve para conceder a licença. Aparentemente, a burocracia é mais importante que a vida da professora. Tem alguma coisa fundamentalmente errada nisso.
Aqui, de Belo Horizonte, também não dá para conhecer a história do seu José Donizete, que eu fui visitar quando fui olhar o que estava acontecendo naquela ponte sobre o Rio Grande, que não tem dono aparentemente. O rio é federal, mas a União diz que a ponte não é dela. Minas diz que não foi Minas que construiu. São Paulo também diz que não foi São Paulo que construiu, apesar de Minas e São Paulo terem estradas que levam até a ponte. A ponte está com fissuras num pilar, teve de ser interditada e o problema parece que não é de ninguém, mas é do seu José Donizete, que tem uma venda que fica quase na beirada do rio, e por onde não passa mais ninguém hoje. E foi ali, vendendo café e pastel frito na hora, que ele tirou o dinheiro para educar os filhos, formar filhos na faculdade, e é dali que ele tira o sustento dele e da mulher dele. Que culpa tem o seu José Donizete pelo fato de ninguém querer assumir a responsabilidade pela ponte, para não falar dos mineiros que têm que dar agora desvios de 100 km para conseguir atravessar para outro lado.
O meu compromisso nesse governo é com a dona Terezinha e com o seu Donizete. É com os invisíveis que a burocracia insiste em ignorar, criando problemas que impedem a solução das questões reais, criando problemas que são denunciados por vídeos de internet que não explicam como as soluções vão chegar.
Eu quero garantir para a dona Terezinha: o laudo será aceito e a senhora receberá o valor dos dias da senhora. Eu quero garantir ao seu José Donizete: a ponte já está sendo reformada com dinheiro de Minas Gerais, e eu vou mandar um boleto depois para o Tarcísio, viu Kassab? Ele tem dinheiro para ajudar. Para o Governo Federal não vou mandar, porque acho que eles não ajudariam mesmo.
Mas o que não pode acontecer é a gente destruir a vida das pessoas porque a nossa realidade acontece longe da delas. Eu não vou deixar que esse jogo de empurra deixe na indigência gente que precisa, efetivamente, do Governo do Estado.
Ter recebido um Estado com as contas equilibradas como eu estou recebendo – e eu sou muito grato ao governador Romeu Zema por isso e também a vocês, deputados, que votaram o Propag e estão nos permitindo avançar – me deixa com um desafio diferente do desafio do governador. Um desafio que eu tenho certeza vou contar com o apoio dos senhores para a gente poder levar a cabo.
Eu quero aproveitar a oportunidade desses dias para poder dizer à população nesse período que Minas tem pressa, que é inadmissível que uma discussão menor esteja condenando o projeto do Rodoanel a uma paralisia, matando 50 pessoas que morrem no Anel Rodoviário todos os anos, porque as estruturas públicas não querem conceder uma última autorização por conta de discussão de CLPI.
É inaceitável que obras relevantes e programas essenciais sejam suspensos por estratégia de interferência política e ideológica por órgãos de controle. É intolerável que a violência contra a mulher seja tratada como traço cultural em Minas Gerais, como se isso fosse tudo bem. É impensável que facções tentem dominar aglomerados e aterrorizar trabalhadores. Abusos institucionais serão combatidos, mulheres serão protegidas, o crime organizado será perseguido e expulso de Minas Gerais em todas as frentes, porque Minas não se curvará aos hipócritas, nem aos covardes que defendem bandidos e a paralisia do Estado.
Minas Gerais, pode contar com o meu tempo, o meu trabalho, a minha dedicação integral nesse período. Eu honrarei os seis milhões e cem mil votos que eu e o governador Romeu Zema recebemos lá em 2022, mas não é por eles apenas que eu vou trabalhar, é por cada um dos nossos mineiros.
A verdade, senhores, é que Deus cuidou de cada detalhe da minha vida até aqui e eu sou grato e honrado por esse caminho que ele desenhou para mim todo esse tempo.
Eu não posso deixar de reconhecer, por isso mesmo, terminando a minha fala, o apoio da minha família, o apoio da Christiana, que preside o Servas, e que ao meu lado por mais de 20 anos, é responsável pela minha certeza de que nós precisamos cuidar, sim, daqueles que perdem tudo, né amor? Mas que nós também precisamos impulsionar aqueles que querem crescer e incentivar aqueles que podem ir mais longe.
Programas como Leite para a Primeira Infância, Moradas Gerais, o SOS Águas, o Trajeto Modas, o Minas Forma, o Trilhas de Futuro, são prova de um compromisso que você, todos os dias, me lembra que nós temos de ter com essas pessoas que precisam do poder público.
Aos meus irmãos Lucas, Catarina, Taciana, que vieram de longe e trouxeram com eles os amores das minhas vidas, meus sobrinhos. Vocês são o meu incentivo máximo para que eu não os decepcione jamais.
Aos meus amigos e familiares que torcem, que vibram, que sofrem, porque as críticas são parte da vida pública, muito obrigado.
Eu termino agradecendo a maior e mais importante herança que eu recebi do governador Romeu Zema: a minha equipe. Sem vocês não é possível fazer o que precisa ser feito, e eu considero abençoado um homem que pode trabalhar ao lado de quem, como vocês, decidiu servir.
Contem comigo. Nós vamos seguir juntos, juntos por Minas Gerais.